Esta página é o bastidor do produto: o problema que escolhemos resolver, os dados da região que o dimensionam, o caminho da ideia até a solução, as hipóteses que ainda precisam de prova, o modelo de negócio, quanto o negócio pode lucrar e como ganha escala. A página principal mostra o produto; esta mostra o raciocínio e os números.
Como garantir que cada litro que entra no caminhão tenha qualidade comprovada antes de ser misturado ao dos outros produtores, com rastro de quem entregou o quê, sem depender do olho de quem coleta?
O quadro segue o método clássico de ideação: definir o desafio, achar o problema raiz, abrir a nuvem de ideias, revisar e identificar a solução. Os post-its marcados com ✕ foram descartados e o motivo está anotado.
Cada meta tem três faixas: verde é sucesso, amarelo é ajustar, vermelho é abandonar ou redesenhar a hipótese. É isso que o piloto de 3 meses vai responder.
Um caminhão coleta 25–35 produtores por rota. Um único produtor com antibiótico, acidez ou fraude condena a carga inteira, e isso só é descoberto no laboratório ou na plataforma da indústria, dias ou horas depois. O motorista só faz alizarol a olho e mede temperatura. Não sabemos se o laticínio paga por decidir antes, se o motorista aceita o processo nem se o tempo por parada cabe na rota.
Linha de base é o que estimamos hoje a partir do diagnóstico e das conversas; meta é para o fim de um piloto de 90 dias com um caminhão.
O LactiGuard é um negócio de hardware como porta de entrada e software como fonte de receita. O kit é vendido uma vez; a assinatura, os descartáveis e o serviço entram todo mês, por caminhão, enquanto o caminhão rodar.
Captura o valor direto: carga preservada, menos descarte, pagamento por qualidade com dado diário e defesa documental na fiscalização. Compra o kit (ou comodato) e paga a assinatura do software por caminhão.
Opera o kit e deixa de responder sozinho por carga condenada. Tem laudo com hora, GPS e foto de cada coleta. Em contratos por desempenho, pode receber bônus por rota sem rejeição.
Recebe o resultado no celular na hora, com o número e a regra aplicada. Corrige mastite e refrigeração em dias, não meses, e disputa bônus com dado, não com opinião. Não paga nada.
| Preço ao cliente por camada | Essencial | Rota | Total |
|---|---|---|---|
| Kit de hardware (uma vez) | R$ 9–14 mil | R$ 40–52 mil | R$ 55–80 mil |
| Assinatura do software (mês) | R$ 800 | R$ 800 | R$ 1.200 |
| Descartáveis por produtor testado | ≈ R$ 12 | ≈ R$ 40 | ≈ R$ 50 |
| Serviço e calibração (mês) | R$ 300 | R$ 300 | R$ 500 |
| Indicadores medidos direto | 23 de 28 | 24 de 28 | 26 de 28 |
| Receita recorrente por caminhão (camada Rota) | por mês |
|---|---|
| Assinatura do software | R$ 800 |
| Margem nos descartáveis (195 testes × R$ 40 × 20%) | R$ 1.560 |
| Serviço e calibração | R$ 300 |
| Margem do hardware diluída em 36 meses | R$ 280 |
| Receita recorrente por caminhão | R$ 2.940 |
O descartável por produtor pesa mais que o hardware, para nós e para o cliente. Por isso a estratégia é o teste por risco: o teste de antibiótico roda em cada produtor só onde há histórico ou sinal de risco, e em pool por trecho da carga no restante; os gates baratos (analisador, pH, condutividade, álcool) rodam sempre. Com isso o custo do laticínio cai para R$ 10–15 por produtor e o ponto de equilíbrio para uma carga evitada a cada três meses, e a nossa receita de descartáveis continua saudável sem empurrar teste desnecessário.
A margem do kit é receita de uma vez só e não sustenta o plano: ela paga a instalação e o treinamento. O negócio é a assinatura e o dado. Um laticínio com 10 caminhões é um contrato de R$ 0,5 milhão em hardware e R$ 100 mil por ano em software; com 100 caminhões, R$ 1 milhão por ano só em software.
Cenários de receita recorrente mensal usando a camada Rota (R$ 2.940 por caminhão por mês) e a margem de contribuição depois dos custos diretos de operação (nuvem, logística de descartáveis, técnico de campo). Equipe de desenvolvimento e vendas entram na projeção anual abaixo.
| Cenário | Base | Caminhões | Receita recorrente / mês | Custos diretos / mês | Margem de contribuição / mês |
|---|---|---|---|---|---|
| Três de Maio (piloto) | 30,3 mi L/ano · 224 produtores | 7 | R$ 20.600 | − R$ 5.000 | R$ 15.600 |
| Bacia AMUFRON | 392 mi L/ano · maior bacia do RS | 90 | R$ 265.000 | − R$ 70.000 | R$ 195.000 |
| Frota de um grande laticínio no RS | 900 mi L/ano captados no estado | 200 | R$ 588.000 | − R$ 150.000 | R$ 438.000 |
| 17 maiores laticínios do Brasil | 9,4 bi L/ano · 48,7 mil produtores | ≈ 2.100 | R$ 6,2 mi | − R$ 1,5 mi | R$ 4,7 mi |
Premissas: 1 caminhão ≈ 12.000 L/dia; custos diretos ≈ 25% da receita recorrente na escala; volumes do Diagnóstico de Três de Maio, do Programa AMUFRON, de Lactalis Brasil/AgFeed e do ranking Abraleite 2024. Projeções indicativas, a validar no piloto.
| Linha | Ano 1 · piloto e validação | Ano 2 · primeira frota | Ano 3 · bacia e replicação |
|---|---|---|---|
| Caminhões ativos no fim do ano | 5 | 30 | 120 |
| Caminhões médios no ano | 2 | 18 | 75 |
| Receita recorrente (R$ 2.940 × caminhões × 12) | R$ 70 mil | R$ 635 mil | R$ 2,65 mi |
| Margem de hardware (kits vendidos × R$ 10 mil) | R$ 50 mil | R$ 250 mil | R$ 900 mil |
| Receita total | R$ 120 mil | R$ 885 mil | R$ 3,55 mi |
| Equipe (fundador + dev sênior; depois produto, campo, vendas) | − R$ 150 mil | − R$ 540 mil | − R$ 1,32 mi |
| Operação (nuvem, viagens, logística, calibração, jurídico) | − R$ 60 mil | − R$ 120 mil | − R$ 400 mil |
| Resultado operacional | − R$ 90 mil | + R$ 225 mil | + R$ 1,83 mi |
| Capital necessário | R$ 120 mil pré-seed (hardware do piloto + 3 meses de equipe) | R$ 1,5–2 mi seed (estoque de 30 kits, equipe de 3, vendas) | autofinanciado ou Série A para outras bacias |
O ano 1 fecha negativo por desenho: é o ano de provar a conta num caminhão e calibrar com o laboratório. O investimento pré-seed cobre exatamente esse período. A partir de 20 caminhões ativos a operação se paga; a partir de 60, paga uma equipe completa com lucro.
Com 371 L/dia por produtor, um caminhão passa em 25–35 propriedades. Dez minutos a mais por parada inviabiliza a rota.
R$ 40 por produtor na camada Rota vira R$ 30 mil/mês por caminhão, mais que o hardware.
Tanque Conectado (Infratrack, Tchê Milk) já está em piloto na região com GPS e temperatura.
Se prometermos "CBT na hora", qualquer comprador técnico derruba.
Mais tarefas, mais responsabilidade percebida.
Dados de qualidade por produtor são sensíveis comercialmente e pessoais.
Site, demo do app com fluxo de coleta, motor de regras e simulador de mistura; arquitetura de hardware com preços públicos; especificação da câmara óptica; hipóteses com métricas e metas.
Compra e integração dos aparelhos; câmara óptica construída e calibrada; app rodando no hub; 3 motoristas treinados; primeiras 100 amostras pareadas com o laboratório.
5 caminhões; 200+ amostras pareadas; laudo integrado ao sistema de captação do laticínio; pagamento por qualidade diário; business case com dados reais.
30 caminhões em contrato de frota; segundo e terceiro laticínios; distribuição via fabricantes de analisadores; rodada seed para estoque e equipe.